
Qualquer fosse a posição do Partido Verde nestas eleições, motivos haveria para críticas, como não deixaram de haver ao lançarmos a candidatura de Marina Silva à Presidência da República. Por um lado houve a boataria de que servíamos ao PSDB para provocar o segundo turno. Do outro lado, não foram poucos os que juraram de pés juntos que a candidatura era uma alternativa a Dilma Roussef, caso essa não conseguisse decolar – o PT então desembarcaria no PV com toda sua artilharia. Duas visões equivocadas.
Essas falsas teorias conspiratórias pareceram mais interessantes que a realidade pura e simples: o PV é um partido com enorme potencial de crescimento e aceitação pela sociedade e encontrou em Marina Silva um nome viável para levar à disputa presidencial nossas bandeiras, em especial a defesa do desenvolvimento sustentável. E fomos tão bem sucedidos que até quem nunca teve esse compromisso ou sequer tem o mínimo entendimento do que significa o tal “desenvolvimento sustentável” repetiu o jargão em todos os níveis das eleições. Era hora, de fato, de ocuparmos o espaço político.
A candidatura verde antecipou o que foi o tom da campanha mais à frente. O bombardeio dos questionamentos sobre a questão do aborto e contra a discriminação de homossexuais nos primeiros momentos só mais tarde tomou os outros candidatos por alvo. E, agora no segundo turno, tanto Dilma quanto Serra têm de dar a 20 milhões de brasileiros, que “marinaram”, satisfações sobre seus compromissos em relação à política ambiental de seus eventuais governos. Ponto para o PV: só isso já é determinante de uma campanha vitoriosa.
Cobrar de Marina e da direção nacional do Partido uma posição ao lado de um ou outro candidato poderia representar para aqueles que fazem a crítica pela crítica a confirmação de uma ou outra das teses conspiratórias. Oferecer aos dois candidatos a base dos compromissos que o Partido Verde assumiu com a sociedade ao entrar no pleito foi a oportunidade dada aos dois para que assumissem compromisso com o eleitorado que acreditou nelas. Nem Dilma, nem Serra é verde por dizer “ter simpatia” pelas questões ambientais, ações é que vão demonstrar compromisso real com o desenvolvimento sustentável do país.
Nos estados e no Distrito Federal, onde as eleições para o governo local também chegaram a um segundo turno a lógica não é exatamente a mesma e não é a mesma de uma Unidade da Federação para outra. Em Brasília não poderíamos nos omitir em assumir posição em relação a uma candidatura rorizista – seja de Joaquim, Wesliam, ou qualquer outro que se dispusesse a levar à frente as práticas políticas ambientalmente agressivas, socialmente equivocadas e moralmente degradadas de seu mentor. Por isso apoiamos Agnelo Queiroz, que assumiu conosco um compromisso programático o qual vamos cobrar em sua gestão.
Durante o primeiro turno, quando o próprio Roriz insistia em ser candidato, apesar da ficha suja, seu apoio declarado à candidatura tucana à Presidência não conseguiu atrair José Serra, provavelmente para não contaminar sua candidatura aparecendo ao lado de uma figura que, no Brasil inteiro, é vista com reservas. Terceiro colocado na votação em Brasília, no segundo turno a ânsia por votos a qualquer custo parece ter tirado os pruridos do tucano, que não demonstrou constrangimento de apoiar uma candidata laranja do velho coronel.